quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Antagonismo e Dualidade

        É muito comum, o pensamento humano distinguir entre bem e mal, herói e vilão, mocinho e bandido. Nos filmes, livros, quadrinhos, pinturas, desenhos, jogos, peças de teatro e músicas, sejam eles personagens bem definidos ou simples pronomes indefinidos, os antagônicos aparecem representando suas polaridades. Tais personagens aparecem nas histórias como um reflexo do pensamento humano. O psiquismo humano desde sempre classifica, qualifica e quantifica o bem e o mal, o homem mediano acredita que o bem é necessariamente bom e o mal é necessariamente ruim, tentando exaltar qualquer tipo de bem e reprimir e condenar todo tipo de mal.
        Atualmente em várias histórias tem sido apresentado o conceito de anti-herói, um personagem que encontra-se em situações complicadas e através de escolhas, conscientes ou não, realiza ações duvidosas para se alcançar um bem maior. Geralmente as ações deste personagem geram um desconforto em vários personagens, fazendo-os questionar as reais intenções do anti-herói que no final consegue mostrar a todos que por mais chocante que seu plano tenha sido a evolução que se dá como fruto do plano é mais gratificante, fazendo valer o risco do plano.
        O conceito de anti-herói mostra muito bem que muitas vezes para fazer um bem maior é necessário realizar um pouco de mal devidamente dosado. Óbviamente as escolas de filosofia e as religiões não vão nunca incentivar essa idéia pelo simples fato de que as pessoas não estão preparadas para receber a liberdade, as pessoas não tem a consciência necessária para serem livres e por isso ficam presos ao padrão religioso e/ou filosófico. Um ego que foi mal educado não aprende da noite para o dia a agir de forma consciente e por isso não pode ser livre dos grilhões morais da sociedade.
        Frases como "minha liberdade termina onde começa a do próximo" servem para construir um padrão de moralidade que tem como objetivo educar as mentes menos conscientes. E se um professor de filosofia do ensino médio disser à turma de adolescentes, que ainda tem seu caráter maleável e em formação, que eles podem fazer o que quiserem, sem limites? E se esse mesmo professor disser para a mesma turma que eles não precisam respeitar o limite do próximo porque o próximo pode manipular e escravizar eles usando esse padrão? Não posso precisar o que exatamente iria acontecer, mas certamente essa turma crescedia de forma caótica, alimentando uma rebeldia paranóica contra o sistema moral existente, resultando na destruição da moralidade, o que por sua vez iria atrapalhar no desenvolvimento da consciência da mesma turma. Bom, isso já aconteceu.
        Você duvida? Abra os olhos e olhe ao seu redor, use seu bom senso e diga-me, isso já não acontece nos dias de hoje? Não estamos vivendo a quebra de vários valores morais? Não estamos tendo ações cada vez mais caóticas que resultam na quebra dos grilhões mentais que compõem o padrão de moralidade que tinhamos à algumas gerações? Pois é, eu concordo que a moralidade das gerações passadas tinha suas desvantagens também, viamos absurdos como mulheres separadas serem discriminadas só pelo fato de terem que trabalhar fora para sustentar a família, atuando em um papel que era até então visto como função masculina. Outros absurdos também ocorriam, mas não é um absurdo a falta de respeito que ocorre nos dias de hoje? Não é absurdo a total inversão de valores que temos vivido? Não é absurdo um jogador de futebol que ganha milhões apoiar e incentivar o crime e o tráfico de drogas bancando festas enquanto um profissional que estudou anos e exerce funções essenciais para a sociedade não ganhar nem um décimo do que o jogador marginal ganha?
        Não estou apoiando a estagnação nem os valores totalmente arraigados e padronizados da sociedade do passado, estou apenas ressaltando que no processo de mudança muitas falhas estão ocorrendo, as pessoas não recebem educação de base para pensar por si mesmo, elas não recebem incentivo para agir corretamente e não encontram, em hora nenhuma, boas razões para serem honestos, incorruptíveis e agirem de forma consciente. As falhas no processo de mudança ocorrem porque as pessoas são levadas a pensar de forma padronizada e a focar as idéias em um único ponto, mas nunca é ensinado as pessoas a pensarem por si mesmo.
        Ter um pensamento claro do todo é essencial para uma mudança consciente, saber equilibrar os bons valores com a liberdade é o ponto crucial que separa a liberdade da libertinagem, e é exatamente este ponto que falta na maioria das pessoas.
        Ainda neste texto eu quero ressaltar que a atual "liberdade" que as pessoas reclamam para si hoje em dia tem quebrado vários grilhões dos paradigmas antigos, mas vale realmente à pena libertar-se de certos grilhões para acorrentar-se em outros? Trocar um grilhão por outro é realmente liberdade? Acorrentar suas consciências à uma falsa liberdade é a liberdade que se quer?


domingo, 12 de agosto de 2012

A Entropia nos Tempos Modernos

        É verdade que as energias são as mesmas, apenas passaram por um processo de transformação de suas características, mas ainda são as mesmas. O que seria da existência sem a transformação? O que seria da existência sem evolução? A inércia vai de contra à terceira Lei de Trismegistus e por isso devemos entender que ela não existe em absoluto, o que existe na verdade é a sensação de inércia, a pseudo estagnação que podemos sentir por algumas vezes, mas nada nunca está parado. Tudo se move porque o universo em essência vibra. Querer determinar se o universo é ordeiro ou caótico é cair no mesmo erro de querer determinar se a realidade é estática ou dinâmica. Não podemos falar da Estase e do Dinamismo sem falarmos da Entropia, que juntas compõem a trindade metafísica que regem as leis da realidade.
        Em uma análise superficial podemos ver que as energias manifestas neste planeta seguem um mesmo padrão desde os primórdios do Homem. Não podemos afirmar que as mesmas energias seguiam os mesmos padrões antes do surgimento do homem na Terra, mas podemos precisar que elas seguem o mesmo padrão desde que o Homem formou os primeiros modelos de sociedade. Tais energias podem ser chamadas em algums momentos de Arquétipos, pois constituem simbólicamente a mesma imagem que as idéias arquétipicas de personalidade exprimem. A sociedade segue padrões determinados pela ação do homem, que por sua vez segue os mesmos padrões arquétipicos que existem desde seu surgimento na Terra.
        Se repararmos bem, a mesma energia que anima os policiais que enfrentam o tráfico e os soldados que lutam para defender seu país é a mesma energia que animava os guerreiros que lutavam para defender seus reinos nos tempos ermos, assim como a mesma energia que animava os gladiadores e os serviçais do passado é a mesma que hoje anima os lutadores de MMA e os trabalhadores assalariados que exercem funções de infra-estrutura, a mesma energia que animava os burgueses é a que anima os empresários corporativistas, a mesma energia que se manifestava nos bardos e trovadores é a que se manifesta nos cantores e músicos assim como a mesma energia dos antigos curandeiros é a dos médicos de hoje. As energias são as mesmas, as manifestações evoluíram e a espiral da evolução continua a girar em torno de si mesma.
        Tudo estaria muito bem no ciclo evolutivo se as coisas estivessem saindo bem, porém o que atualmente vemos é uma degradação caótica das manifestações de tais energias. Onde antes nós encontramos músidas melódicas e com letras bem elaboradas, verdadeiras obras de arte, hoje vemos o mercado fonográfico produzindo cada vez mais lixo só para vender mais. Antes existia programação honesta na TV, hoje nós temos reality shows que incentivam a competitividade e mostram várias faces de pessoas sem caráter que jogam sujo para conseguir dinheiro. Onde antes encontrávamos protestantes engajados em uma causa que ofereciam sua cara à tapa por honra a suas idéias de igualdade e liberdade, hoje temos as marchas das vadias e os dias do orgulho gay, que ao invés de promover a igualdade entre todos cumpre um papel de promover a promiscuidade e o direito a transar sem proteção e depois querer abortar caso engravide só porque "o corpo é meu e eu faço o que eu quero com ele". Não podemos também esquecer de falar sobre a marcha da maconha, que "luta" (hauhuhauhauha) contra o governo para poder liberar uma erva natural que causa tanto mal à sociedade quanto o álcool. Tem também a bancada evangélica que condena tudo que eles não acham "de Deus" e rotulam como "do capeta" e querem moldar a sociedade conforme sua visão unilateral. Ninguém faz uma campanha incentivando a educação, ninguém protesta contra a desigualdade social alarmante, ninguém se manifesta contra a corrupção, ninguém se move para restaurar as boas práticas religiosas, ou para defender honestamente o direito de igualdade entre todos, ninguém se importa em votar direito para evitar problemas de má administração. As pessoas só querem ganhar dinheiro, saciar seus instintos, beber, perder a consciência de seus problemas e ignorar a latrina que a sociedade moderna está se tornando por ignorância deles mesmos.
        Agora podemos pensar que a evolução não está acontecendo, mas para todos que tem a capacidade de acalmar-se diante do furacão e olhar além da tempestade, é possível dizer que a esperança de dias melhores não é apenas uma ilusão, mas sim uma realidade futura. Sempre depois da tempestade vem a calmaria e nunca foi diferente.
        O psiquismo da sociedade precisa passar por choques sociais para despertar para sua própria evolução e continuar a subir na espiral evolutiva. Afinal, é com os erros que aprendemos a acertar.

A decadência da Ciência e da Tecnologia

        Comecei a ler A Grande Síntese, do famoro escritor, filósofo e espiritualista Pietro Ubaldi, e já nas primeiras páginas do primeiro capítulo "Ciência e Razão" eu encontrei, nas palavras do autor, pensamentos que complementam em muito os que eu já vinha consolidando pela reflexão. Vou citar abaixo um trecho do que o próprio autor escreveu para que o título desta postagem seja melhor compreendida.

        "Vossa ciência lançou-se numa viela escura, sem saída, onde vossa mente não tem amanhã. Que foi que vos deu o último século? Máquinas como jamais o mundo as teve (mas que, no entanto, são apenas máquinas) e, em compensação, ressecou vossa alma. Essa ciência passou como um furacão destruidor de toda a fé e vos impõe, com a máscara do ceticismo, um rosto sem alma. Vós sorris despreocupados, mas vosso espírito morre de tédio e ouvem-se gritos dilacerantes. Até vossa própria ciência é uma espécie de desespero metódico, fatal, sem mais esperanças. Terá ela resolvido o problema da dor? Que uso fazemos dos poderosos meios que lhe deram os segredos arrancados da natureza? Em vossas mãos, o saber e a força transformam-se sempre em meios de destruição.
        Para que serve então, o saber, se ao invés de impulsionarmos para o Alto, tornando-vos melhores, para vós se torna instrumento de perdição? Não riais, ó céticos que julgais ter resolvido tudo porque sufocastes o grito de vossa alma que anseia por subir! A dor vos persegue e vos encontrará em qualquer lugar. Sois crianças que julgais evitar o perigo escondendo a cabeça e fechando os olhos, mas existe uma Lei, invisível para vós, todavia mais forte que a rocha, mais poderosa que o furacão, que caminha inexorável, movimentando tudo, animando tudo: essa Lei é Deus. Ela está dentro de vós: vossa vida é uma exteriorização dela e derramará sobre vós alegria ou dor de acordo com a justiça, como merecerdes. Eis a síntese que vossa ciência, perdida nos infinitos pormenores da análise, jamais poderá reconstruir. Eis a visão unitária, a compreensão apocalíptica que venho trazer-vos.
        Para que me possa fazer compreender, é mister que fale de acordo com vossa mentalidade e me coloque no momento psicológico que vosso século está vivendo. É indispensável que eu parta justamente dos postulados da vossa ciência, para dar-lhe uma direção totalmente nova. Vosso sistema de pesquisa objetiva, à base da observação e experiência, não vos pode levar além de certos resultados. Cada meio pode fornecer certo rendimento e nada mais, e a razão é um meio. A análise não poderia chegar à grande síntese, grande aspiração que ferve no fundo de todas as almas, senão por meio de um tempo infinito, de que não dispondes. Vossa ciência arrisca-se a não concluir jamais e o ignorabimus quer dizer falência. A tarefa da ciência não pode ser apenas a de multiplicar vossas comodidades. Não estranguleis, não sufoqueis a luz de vosso espírito, única alegria e centelha da vida, até o ponto de tornar a ciência, que nasce do vosso intelecto, uma fábrica de comodidades. Esta é prostituição do espírito, é vergonhosa venda de vós mesmos à matéria.
        A ciência pela viência não tem valor, vale apenas como meio de ascensão da vida. Vossa ciência tem um pecado original: dirigir-se apenas à conquista do bem-estar material. A verdadeira ciência deve ter como finalidade tornar melhores os homens. Eis a nova estrada que precisa ser palmilhada. Essa é a minha ciência."



        Os pensamentos do autor fazem juz a meus pensamentos sobre a decadência da ciência e da tecnologia, que cada vez mais servem apenas para gerar conforto e comodidade ao invés de tornar a vida do Homem melhor, mais justa, mais saudável. Quantos problemas de saúde o homem adquiriu pelo sedentarismo oriundo do conforto oferecido pela tecnologia? Quanta destruição da natureza e quanta degradação dos recursos naturais o homem inflinge ao planeta em nome de obter conforto, dinheiro e status social? É realmente necessário tudo isso? Estamos direcionando nossos recursos e nosso intelecto da melhor forma possível? Estamos nos aprimorando como seres com potencial evolutivo? Se somos nós senhores de nosso destino, como de fato somos, estamos agindo à nosso favor? Se somos uma unidade, parte de um todo, membros de um coletivo, como de fato somos, estamos sendo funcionais? Estamos nadando no sentido certo?
         Não estamos nós seguindo de acordo com a Lei Cósmica que é Deus, e precisamos o quanto antes voltarmos nossa atenção para o fato de que não é necessário passarmos por uma Religação (Religare, Religião), pois nós já estamos, o tempo todo, ligados uns aos outros, como um ciclo natural de acontecimentos nós já somos parte do todo e portanto o todo é parte de nós. Olhar para o coletivo e para o espiritual ao invés de olhar para o individual e o material é, com certeza, um caminho muito mais consciente e evolutivo.