Comecei a ler A Grande Síntese, do famoro escritor, filósofo e espiritualista Pietro Ubaldi, e já nas primeiras páginas do primeiro capítulo "Ciência e Razão" eu encontrei, nas palavras do autor, pensamentos que complementam em muito os que eu já vinha consolidando pela reflexão. Vou citar abaixo um trecho do que o próprio autor escreveu para que o título desta postagem seja melhor compreendida.
"Vossa ciência lançou-se numa viela escura, sem saída, onde vossa mente não tem amanhã. Que foi que vos deu o último século? Máquinas como jamais o mundo as teve (mas que, no entanto, são apenas máquinas) e, em compensação, ressecou vossa alma. Essa ciência passou como um furacão destruidor de toda a fé e vos impõe, com a máscara do ceticismo, um rosto sem alma. Vós sorris despreocupados, mas vosso espírito morre de tédio e ouvem-se gritos dilacerantes. Até vossa própria ciência é uma espécie de desespero metódico, fatal, sem mais esperanças. Terá ela resolvido o problema da dor? Que uso fazemos dos poderosos meios que lhe deram os segredos arrancados da natureza? Em vossas mãos, o saber e a força transformam-se sempre em meios de destruição.
Para que serve então, o saber, se ao invés de impulsionarmos para o Alto, tornando-vos melhores, para vós se torna instrumento de perdição? Não riais, ó céticos que julgais ter resolvido tudo porque sufocastes o grito de vossa alma que anseia por subir! A dor vos persegue e vos encontrará em qualquer lugar. Sois crianças que julgais evitar o perigo escondendo a cabeça e fechando os olhos, mas existe uma Lei, invisível para vós, todavia mais forte que a rocha, mais poderosa que o furacão, que caminha inexorável, movimentando tudo, animando tudo: essa Lei é Deus. Ela está dentro de vós: vossa vida é uma exteriorização dela e derramará sobre vós alegria ou dor de acordo com a justiça, como merecerdes. Eis a síntese que vossa ciência, perdida nos infinitos pormenores da análise, jamais poderá reconstruir. Eis a visão unitária, a compreensão apocalíptica que venho trazer-vos.
Para que me possa fazer compreender, é mister que fale de acordo com vossa mentalidade e me coloque no momento psicológico que vosso século está vivendo. É indispensável que eu parta justamente dos postulados da vossa ciência, para dar-lhe uma direção totalmente nova. Vosso sistema de pesquisa objetiva, à base da observação e experiência, não vos pode levar além de certos resultados. Cada meio pode fornecer certo rendimento e nada mais, e a razão é um meio. A análise não poderia chegar à grande síntese, grande aspiração que ferve no fundo de todas as almas, senão por meio de um tempo infinito, de que não dispondes. Vossa ciência arrisca-se a não concluir jamais e o ignorabimus quer dizer falência. A tarefa da ciência não pode ser apenas a de multiplicar vossas comodidades. Não estranguleis, não sufoqueis a luz de vosso espírito, única alegria e centelha da vida, até o ponto de tornar a ciência, que nasce do vosso intelecto, uma fábrica de comodidades. Esta é prostituição do espírito, é vergonhosa venda de vós mesmos à matéria.
A ciência pela viência não tem valor, vale apenas como meio de ascensão da vida. Vossa ciência tem um pecado original: dirigir-se apenas à conquista do bem-estar material. A verdadeira ciência deve ter como finalidade tornar melhores os homens. Eis a nova estrada que precisa ser palmilhada. Essa é a minha ciência."
Os pensamentos do autor fazem juz a meus pensamentos sobre a decadência da ciência e da tecnologia, que cada vez mais servem apenas para gerar conforto e comodidade ao invés de tornar a vida do Homem melhor, mais justa, mais saudável. Quantos problemas de saúde o homem adquiriu pelo sedentarismo oriundo do conforto oferecido pela tecnologia? Quanta destruição da natureza e quanta degradação dos recursos naturais o homem inflinge ao planeta em nome de obter conforto, dinheiro e status social? É realmente necessário tudo isso? Estamos direcionando nossos recursos e nosso intelecto da melhor forma possível? Estamos nos aprimorando como seres com potencial evolutivo? Se somos nós senhores de nosso destino, como de fato somos, estamos agindo à nosso favor? Se somos uma unidade, parte de um todo, membros de um coletivo, como de fato somos, estamos sendo funcionais? Estamos nadando no sentido certo?
Não estamos nós seguindo de acordo com a Lei Cósmica que é Deus, e precisamos o quanto antes voltarmos nossa atenção para o fato de que não é necessário passarmos por uma Religação (Religare, Religião), pois nós já estamos, o tempo todo, ligados uns aos outros, como um ciclo natural de acontecimentos nós já somos parte do todo e portanto o todo é parte de nós. Olhar para o coletivo e para o espiritual ao invés de olhar para o individual e o material é, com certeza, um caminho muito mais consciente e evolutivo.

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