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| Bodhidharma |
Ao contrário do que muitos pensam, Kung Fu não é uma arte marcial, mas sim toda arte marcial de origem chinesa. O termo Kung Fu era usado na China antiga para designar alguém que era muito bom em algo, que executava determinada atividade com perfeição. Ser um Kung Fu significa se dedicar para adiquirir maestria em alguma atividade, seja ela marcial ou não. O termo Kung Fu foi associado às artes marciais chinesas porque os praticantes treinam seus estilos com foco no domínio da arte e a execução das formas e técnicas com perfeição.
As origens do Kung Fu remotam ao monge Bodhidharma, de oriundo do sul da Índia. A lenda conta que ele viajou para o sul da China, mudando-se para o norte posteriormente, ele teria sido o transmissor do Budismo Zen na China e durante sua viagem ele viu que vários monges chineses sofriam com a violência dos saqueadores que perturbavam os templos no intuito de apropriar-se dos tesouros, os monges, com uma filosofia pacífica não eram ainda treinados em formas de combate. Bodhidharma decidiu ensinar aos monges uma forma de se defender. Nesta época Bodhidharma teria, segundo a lenda, ensinado aos monges do templo da província de Henam várias técnicas internas, que envolviam meditação, respiração, concentração e o cultivo da energia interna e fortalecimento do corpo; e várias técnias externas que serviam para ensinar os monges a defender-se dos saqueadores.
Inspirado filosoficamente nos movimentos dos animais (tigre, louva-a-deus, macaco, serpente e garça) foi então desenvolvido ao longo dos anos foi desenvolvido o estilo Shaolin quan no mesmo templo de Henam onde Bodhidharma teria ensinado os monges. O estilo Shaolin quan recebe o mesmo nome do templo, Shaolin, e é considerado a mãe de todos os estilos de artes marciais chinesas. Até os dias de hoje não se sabe ao certo que foi o fundador e de onde veio a essência do Shaolin quan, mas sabe-se que é errado atribuir a criação do sistema a uma única pessoa, afinal de contas o mesmo papel importante que Bodhidharma teve, os vários mestres monges que aprimoraram a arte ao longo dos anos de treino também tiveram.
Hoje em dia existem mais de 300 estilos diferentes de artes marciais chinesas sob o título de "kung fu", as artes se dividem em internas e externas. As artes externas ensinam as técnicas de combate e o aprimoramento físico do praticante, enquanto as artes internas ensinam o cultivo da energia interna através da respiração, meditação e concentração. Como artes internas podemos citar o Tai Chi, o Chi Kung e o Baguazhang, e como artes externas existem o Sanshou, o Wushu, o Hung Gar e o Sanda. Existem ainda as artes que são ao mesmo tempo internas e externas, como o Wing Chun, Nei Kung e o próprio Shaolin. As artes internas e externas recebem estes nomes porque, visto que são artes marciais, fazem analogia à um combate, ar artes marciais externas preparam o praticante para combater inimigos externos à ele que se manifestam como outras pessoas, enquanto as artes marciais internas preparam o praticante para combater seus inimigos internos que se manifestam na forma da ansiedade, medos, desejos e instintos.
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| Kin Lai |
Ainda é muito confundido o termo Kung Fu com o termo Wushu. À julgar por seus significados, o termo Kung Fu, como já foi mostrado, representa alguém que executa alguma atividade com perfeição, enquanto o termo Wushu pode ser traduzido como "a arte da guerra".
Tradicionalmente usa-se o comprimento Kin Lai como saudação formal em todas as artes marciais chinesas. O Kin Lai é executado usando as duas mãos, a mão direita fechada encostada na palma da mão esquerda que fica aberta por cima da mão direita. O Sol e a Lua, unidos formam um novo caractere denominado Ming, que significa clareza ou esclarecimento. Esta saudação tem como significado "Inteligência vence a Força", visto que o uso da inteligência (palma da mão esquerda) é mais eficiente que a força bruta (punho da mão direita) já que está por cima do punho retendo seu avanço.
Ser um Kung Fu requer dedicação, treino e especialmente a força de vontade de nunca desistir por mais duras que sejam as dificuldades encontradas em seu caminho rumo à perfeição, afinal de contas, como nos mostra o Kin Lai: a Inteligência vence a Força.


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