segunda-feira, 16 de julho de 2012

Jogo de Interpretação de Papéis

        O famoso RPG (do inglês Role-playing Game), pode ter seu significado traduzido como Jogo de Interpretação de Papéis, porque é exatamente isso que ele é. Durante os jogos existem dois tipos de pessoas: os jogadores, que criam seus personagens e interpretam seus papéis na trama da história; e o Mestre (também chamado de Narrador), que conta a história, propõe desafios e conduz os personagens dos jogadores pela história.
        Jogar RPG é como participar de um teatro, os jogadores são os atores e o mestre/narrador é o diretor que conta a história e narra as cenas. Diferente do teatro no RPG não há um roteiro que TEM que ser seguido, o mestre prepara um resumo, como um passo-a-passo, de como ele pretende que seja a história e vai narrando as cenas e descrevendo os cenários para os jogadores, que por sua vez introduzem seus personagens no contexto interpretando suas personalidades.


        Bom, até aqui eu creio que todos já sabem, porém o que poucos percebem é que o RPG é uma grande ferramenta psicológica que estimula a leitura, imaginação, criatividade, visualização, concentração e o bom senso das pessoas. Jogar RPG te dá a oportunidade de criar seu próprio mundo, ou algo muito mais complexo, criar uma psiquê, uma personalidade, com seus medos, anseios, planos, virtudes e defeitos, que representará seu persoangem. E mais, o RPG possibilita você interpretar aquela psiquê, colocar-se momentaneamente no lugar daquele indivíduo fictício e emprestar seus sentimentos e emoções para que o personagem se manifeste através da arte de interpretar, estimulando sua empatia e sua percepção. Quanto mais bem construído for o personagem mais real ele vai parecer e aí está a graça da coisa.
        Jogar RPG não é só rolar dados e falar em nome de pessoas que não existem. Jogar RPG é criar, é sentir sentimentos que normalmente você não sentiria, é expandir sua consciência para um mundo de situações diferentes e principalmente saber separar o real do imaginário, ter a capacidade e a maturidade de tirar a máscara do personagem quando o jogo termina e voltar a ser você mesmo.
        Mas como voltar a ser você mesmo tendo sentido o que seu personagem sentiu? Visto o que ele viu e se colocado no lugar dele? Isso é uma questão que pode ser muito difícil para alguns jogadores, mas é muito fácil de se explicar: o RPG lhe dá a oportunidade de pensar, sentir e agir de forma diferente do que você naturalmente pensa, sente e age, portanto é muito difícil pensar, sentir e agir de formas totalmente diferentes do que você naturalmente faz e com isso é possível conhecer ainda mais sobre você mesmo prestando atenção nas qualidades e defeitos que você introduz em seus personagens, é possível até mesmo extravazar sentimentos que você contém, ou transformar seu personagem em alguém com características que você gostaria de ter, então, se você prestar bastante atenção na psiquê de seus personagens você vai acabar percebendo que eles, na verdade, são partes de você e em hora nenhuma você interpretou algo muito diferente do que você já tenha como idéia pré-concebida, o que houve foi que você colocou essa idéia pra fora em forma de um personagem.
        Quando você joga, se veste do personagem e atua, momentaneamente como ele, tendo o devido bom senso de que isso é apenas um jogo e nada mais do que isso, e portanto o objetivo central é a diversão e o entretenimento. Se for para se estressar com o grupo, discutir com o mestre ou reclamar disso e daquilo, não vale à pena participar. Por mais eficaz que seja o RPG como uma ferramenta psicológica, a diversão tem que estar acima de tudo, afinal, de que adianta se conhecer se você não consegue se divertir com isso?

Nenhum comentário:

Postar um comentário