sábado, 21 de julho de 2012

O Caminho do Adepto

        Desde os primórdios da raça humana o Homem faz seus questionamentos e descobre suas respostas, que por si só geram outros questionamentos. Quando não se encontra uma resposta objetiva a mente humana tende a inventar uma alegoria para traduzir a subjetividade de uma resposta. Entender que as alegorias são apenas alegorias e desmistificar as crendices sob às quais nós vivemos é o caminho do verdadeiro Adepto.
        Desde o mundo antigo existem àqueles que tentam entender a si mesmo, buscando os fundamentos para seus medos, orgulhos e crenças. Estas pessoas passam por um processo de busca incessante que os leva ao autoconhecimento e ao autodomínio. Tudo isso é fruto de muita reflexão e prática de exercícios de autoconhecimento e introspecção. Às pessoas que seguem em suas buscas, conhecendo a si mesmo e se aperfeiçoando é dado o nome de Adepto.
        A origem do termo ainda me é desconhecida, porém ela é muito usada para distinguir os místicos e religiosos que apenas frequentam algum grupo por certa obrigação social, do verdadeiro buscador que deseja aperfeiçoar a si mesmo. Agora vem a pergunta, e o caminho do Adepto? Como é? Em que consiste? Quais são as escolhas?
        A filosofia antiga nos mostra que existem três caminhos para os que buscam o autoconhecimento e o autoaperfeiçoamento, cada um dos três caminhos é singular e nenhum supera o outro, mas sim existem em equilíbrio. Os caminhos são O Caminho da Mão Direita, O Caminho da Mão Esquerda e O Caminho do Meio. Estes nomes surgiram através da analogia de que o Homem é, em essência, composto pelos mesmos elementos que estão representados na Árvore da Vida. Para os conhecedores da filosofia da Cabala é fácil entender, mas para os que não conhecem é importante citar que a Árvore da Vida é um hieróglifo e portanto é composta por vários símbolos que estão dispostos em três pilares, o pilar da direita, o pilar central e o pilar da esquerda. Os símbolos representados em cada um dos pilares representa idéias positivas e negativas, que por definição não tem nenhuma relação com bem e mal, são apenas dois pólos de uma mesma energia. O pilar da direita abriga símbolos de cunho positivo e expandivos, enquanto o pilar da esquerda abriga símbolos de significância oposta, negativos e destrutivos. Sendo assim, concluímos que o pilar do meio abriga símbolos que transmitem o significado básico do Equilíbrio.
        Com a explicação acima é fácil entender o que significa cada um dos caminhos. O Caminho da Mão Direita é um caminho que preza a misericórdia, a bondade, o conhecimento, a razão, trata-se de um caminho onde se exalta as próprias virtudes e se combate as falhas. O Caminho da Mão Esquerda é um caminho que exprime maior emoção, embuído de sentimentos de justiça e severidade, em sua prática é um caminho que te leva a conhecer os seus piores defeitos e imperfeições, com o intuito de fazê-lo refletir e aceitar seus defeitos para usá-los a seu favor na sua evolução. O Caminho do Meio é um caminho de equilíbrio entre razão e emoção, entre defeitos e virtudes.
        A filosofia do Caminho da Mão Direita é encontrada em tradições místicas como o Hermetismo (e as Ordens Herméticas), a Wicca, o Budismo, no Kardecismo e nas demias vertentes mais puras do Cristianismo. A filosofia do Caminho da Mão Esquerda é encontrada com frequência no Caoísmo, e em vertentes de filosofia nem um pouco ortodoxas. Básicamente o Caminho da Mão Direita segue a frase "Que seja feita a Vossa Vontade" (ou seja, a vontade de nosso eu interior, a Verdadeira Vontade) e trabalha de forma prática com as virtudes à serem desenvolvidas pelo Homem, enquanto o Caminho da Mão Esquerda usa comumente os instintos selvagens do Homem para compreender seus defeitos e imperfeições, e seguem a frase "Que seja feita a Minha Vontade". Entrar em equilíbrio com seus instintos defeituosos e suas virtudes sublimes, e conciliar a sua vontade com a vontade divina, é o trabalho do Caminho do Meio, que busca sempre o Equilíbrio.
        O caminho de um adepto, seja ele qual for, é sempre cheio de ensinamentos e aprendizado. A evolução moral, intelectual e espiritual são os resultados esperados de uma caminhada dessas. Combater seus medos, superar seus defeitos e descobrir a cada dia mais sobre si mesmo é o que realmente acontece na vida de um Adepto. Grandes mestres do passado nos mostram sua sabedoria e nos revelam que eles próprios eram verdadeiros Adeptos, independente de religião ou seguimento filosófico.
        Minha opinião sobre os três caminhos apresentados neste post é que não importa o caminho que se escolha seguir para chegar ao autoconhecimento com o propósito de evolução, o importane é trilhar seu caminho e não desistir só porque as coisas parecem não dar certo. Tornar-se um adepto é uma decisão pessoal e, portanto, cabe a cada um perseverar, quebrar suas próprias barreiras e domar seus próprios defeitos, afinal de contas, se você espera conquistar algo que nunca teve, tem que estar disposto à fazer coisas que nunca fez. Continuar com a mesma atitude passiva de aceitar as limitações que o mundo lhe impõe não vai te fazer evoluir, vai apenas transformar-te em um ser estagnado e inerte. Se você quer mudar, crescer, aprender, evoluir, transformar-se em alguém melhor, lute, estude, aprenda, corra atrás e siga o caminho que falar mais alto ao seu coração. Acima de tudo, seja você mesmo e não aceite as influências e limitações impostas pela vida, mas reconheça nestas limitações uma oportunidade de tornar-se alguém melhor.
        A única vitória que realmente vale à pena é a vitória sobre si mesmo.

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