sexta-feira, 13 de julho de 2012

Focar e Equilibrar




        Foi em janeiro de 2011, quando eu estava um pouco assustado e com medo de andar nas ruas, que eu começei a procurar aulas de defesa pessoal para ganhar mais segurança. Por sorte um amigo em uma conversa aleatória me falou que um outro amigo dele o havia chamado para aprender Wing Chun.  Na ocasião ele partilhava do mesmo interesse por defesa pessoal que eu, e me chamou para ir junto conhecer o local e o sistema Wing Chun. Chegando no local eu conheci o Si-Hing Marco (que é um ótimo professor), que me mostrou aula após aula os benefícios do Wing Chun, que vão muito além de meras técnicas de combate.
        Através do Si-Hing Marco eu entrei para a família Moy Ka, afiliado ao Sifu (mestre) Monnerat, que foi discípulo do grande mestre Moy Yat, que por sua vez foi discípulo do grande mestre Ip Man, o mais famoso praticante de Wing Chun até hoje.
        Neste pouco mais de um ano de treino eu consegui passar pelo nível básico (Siu Nim Tau) e iniciar o treinamento no nível intermediário (Cham Kiu). Muito mais do que socos e chutes foi me ensinado, engana-se quem pensa que o Wing Chun é apenas um sistema de combate, ele é uma forma de autocontrole, te ensina o tempo inteiro a controlar sua ansiedade e sua respiração, combater seus medos, relaxar em situações de tensão, manter-se calmo e frio para analisar o que está à sua volta e escolher a melhor saída à ser tomada. Com poucas aulas é possível perceber que não se tem controle nenhum sobre seu corpo e que toda a sua habilidade que você pensava que tinha na verdade não existe, percebe-se que seu corpo é muito mais controlado por seus instintos do que por sua razão. Com a prática adquire-se uma grande consciência corporal e um enorme domínio sobre o próprio corpo, os próprios movimentos, sem falar na grande sensibilidade que se aflora.

Lucas, Sifu Monnerat, eu e Vinícius
                                                      
        O Wing Chun não tem o objetivo de formar pessoas violentas e com indole duvidosa. A formação do bom caráter é fundamental para se aprender mais do que simples técnicas de combate. O Wing Chun é feito para pessoas que querem evoluir, não apenas em lutas mas principalmente em suas vidas pessoais. Todos os conceitos de relaxamento, de sensibilidade e de buscar a melhor saída são perfeitamente aplicáveis no nosso dia-a-dia e produzem ótimos resultados se praticados em nossa vida pessoal, com os amigos, no trabalho, com a família. 
        Saber respirar fundo, controlar a própria irritação, manter-se em um estado de neutralidade para tomar a decisão certa é fundamental para ser um bom praticante e uma boa pessoa, muitas vezes é isso que faz toda a diferença entre lutar e não lutar. Em todas as situações de conflito a melhor saída é não lutar, como diz Sun Tzu em seu livro A Arte da Guerra: "A excelência suprema não consiste em derrotar seu oponente em cem batalhas, mas vencer seu oponente sem precisar lutar". Ter que lutar significa que você já perdeu a batalha pela Paz.
        Obviamente essas qualidades não nascem do dia para a noite, tudo isso é fruto de muito treino, persistência, perseverança e obviamente humildade para aprender. Como me disse o Sifu Monnerat na ocasião em que autorizou minha passagem para o Cham Kiu: "Treino, treino e muito treino".

Para quem deseja conhecer mais sobre a família Moy Ka e o Wing Chun Kung Fu acesse: http://www.wingchun.org.br/

5 comentários:

  1. Texto muito bom Gabriel, concordo contigo plenamente.
    U'abraço !
    George

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  2. ARTES MARCIAIS NÃO SÃO ESPORTES: ESSE, O GRANDE ERRO !

    Artes marciais não deveriam ser consideradas esportes, pois são técnicas de defesa contra ações mal intencionadas de outra pessoa.
    O fato das artes marciais serem tidas como esportes não coloca em cheque a sua eficiência mas cria, nos praticantes, hábitos indesejáveis tais como o exibicionismo, o complexo de superioridade ou inferioridade, o egoísmo e a ganância.
    Artes marciais deveriam sim, ser acompanhadas de ensinamentos filosóficos e morais. Nada de "lado esportivo" ou "competitivo". Isso faz das artes marciais uma brincadeira, algo lúdico e elas certamente não foram riadas para isso.

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    1. Certamente. O "circo" da coisa gera muito lucro mas também trás falsos conceitos.

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  3. Veja só Gabriel, que interessante:

    CINCO MÁXIMAS DO WING CHUN



    1.Quando o antebraço do oponente estiver atacando, passe por sobre ele para atacar.

    2.Como uma serpente em combate, sempre encare seu oponente diretamente.

    3.Quando o adversário vier, deixe-o vir, e se fugir vá atrás dele.

    4.Os socos e chutes de Wing Chun, quando deferido corretamente, não são visto pelo adversário.

    5.Imagine que sua cabeça e de vidro, seu estomago, de algodão e seus braços e pernas são de ferro.

    Fonte: http://boxechinesatam.multiply.com/journal

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    1. Bem interessante. Isso se parece com o conceito de "Estabelecer a Ponte" e "Cruzar a Ponte" estudados respectivamente no Cham Kiu e Biu Jee.

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