sexta-feira, 3 de maio de 2013

Reflexões sobre o ateísmo


Reflexões sobre o ateísmo (dia 25/04/2013 às 17:40)

Como pode alguém não crer em absolutamente nada? Ele não crê no potencial evolutivo que ele possui? Ou será que ele subestima este potencial?

Se nós entendermos que ateu é aquele que não crê na existência e atuação de nenhuma força superior então estamos entendendo que o ateu não crê na força da gravidade, não crê na lei da ação e reação e não crê nas forças com as quai
s a ciência trabalha, pois assume-se que todas estas forças estão além da capacidade do homem de transcendê-las por si próprio e por isso lhe são superiores.

Se entendermos que ateu é alguém que não acredita na existência de Deus, devemos então ter a clareza de pensamento de entender que o termo Deus é associado, desde sua origem, à essência, ao potencial divino de criação, ou “Criador” como chamam. Sendo assim admitimos que os ateus não acreditam em um potencial criador que pode ou não ser antropomórfico (o que varia de crença para crença e de ponto de vista para ponto de vista). Neste caso devemos entender que o ateu é uma pessoa que não reconhece o potencial criador natural na raça humana e acredita em sorte, azar e coincidência. 

O estudo das leis naturais às quais chamamos de ciência veio ao longo das eras, conforme sua evolução gradual, nos mostrando que vários efeitos que o homem acreditava ser fruto de sorte, azar ou coincidência, eram na verdade reações, efeitos movidos por ações causais que por sua vez eram oriundos de outras ações, com isso devemos supor que sorte, azar e coincidência são termos usados popularmente para representar causas ás quais nós não temos o devido conhecimento, ainda.

Caímos em um erro se não admitimos que a verdadeira fé só pode existir baseada em um conhecimento de causa, e que a fé sem este conhecimento de causa é arraigada em um fundamentalismo que beira o fanatismo (seja ele religioso ou não). A fé também pode se basear em credibilidade e/ou confiança em alguém ou em algo, porém esta credibilidade ou confiança se baseiam por sua vez na suposição de que há um conhecimento de causa que fortaleça estes fatores, suposição esta que pode ou não ter real procedência. Com isso, devemos entender que a fé e crença são coisas distintas pois a fé transcende a crença. A crença é uma forma de especulação quando ainda não há certeza sobre algo, há ainda apenas a desconfiança e a suposição; enquanto a fé é certeza, é a crença com provas, a certeza nas possibilidades e nas causas que produzem os efeitos.

Analisando estes conceitos eu devo supor, por mais óbvio que possa parecer, que o ateu é alguém que possui pouca fé, isto é: Não possui conhecimento de causa das leis naturais e por algum motivo (que varia em cada indivíduo) volta-se contra este conhecimento negando a existência de algo que ele sequer compreende. Ainda neste âmbito eu devo concluir que o ateu é alguém que além de carecer de conhecimento também é alguém que possui uma grande capacidade para tornar-se um livre pensador, mas acaba por limitar a si mesmo quando nega teorias e hipóteses sem ao menos realizar uma mera especulação, e neste ponto ele pode (mas não deve) ser comparado a um ignorante, pois ignora que há fatores que vão além de sua compreensão e não faz nenhum esforço para compreender tais fatores, limitando-se em uma visão estreita de pura negação.

Para concluir, acredito que o ateu seja alguém que passe por uma fase de negação em sua existência, mas possui todo o potencial intelectual e sensibilidade para transcender esta condição.

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